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Rio Branco não é uma cidade qualquer. Além de ser o mais antigo núcleo urbano do Acre, logo se constituiu como a maior e mais importante cidade acreana sendo por isso escolhida como a capital do antigo Território Federal e do Estado do Acre. Mas, Rio Branco ainda guarda muitas marcas visíveis de cada um dos 130 anos de sua história.
 


1º Período: De seringal a cidade (1882-1908)

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O primeiro período da história urbana de Rio Branco é marcado por três características centrais. A primeira diz respeito à transformação do seringal Volta da “Empreza” no povoado denominado “Villa” Rio Branco. A segunda é que foi exatamente nesta época que Rio Branco alcançou a condição de liderança política e econômica do Acre, que lhe valeria posteriormente a condição de capital. Finalmente, a terceira característica fundamental da cidade nascente é que neste período o povoado da Volta da “Empreza” – “Villa” Rio Branco esteve restrito a uma estreita faixa de terra na margem direita do rio Acre (atual 2º Distrito).

O Seringal Volta da “Empreza” foi fundado na margem direita do rio Acre, em 28 de dezembro de 1882, pelo cearense Neutel Maia. Mas logo se diferenciou dos outros seringais da região ao se tornar um porto muito freqüentado pelos vapores que transitavam pelo rio durante a época das cheias. Neutel Maia criou em 1884 uma casa comercial denominada Nemaia e Cia. para atender aos vapores, pequenos seringais e realizar a intermediação de gado boliviano para o abastecimento da região. Portanto, espontaneamente, a Volta da “Empreza” deixou de ser um seringal como todos os outros do Acre para se tornar um povoado. Em outros termos, muito cedo a Volta da “Empreza” deixou de ser um espaço privado – de domínio exclusivo do seringalista – para se tornar um espaço público, onde outros comerciantes ou indivíduos podiam atuar ou se fixar.

Por isso, além de se tornar a principal referência comercial do médio rio Acre, o povoado da Volta da “Empreza” foi palco preferencial de diversos movimentos da guerra entre acreanos e bolivianos que abalou a região no final do século XIX e princípio do XX. Tornou-se assim a sede do Acre Setentrional durante a ocupação militar de 1903, e logo após a anexação das terras acreanas através do Tratado de Petrópolis, foi alçada à condição de sede do Departamento do Alto Acre no regime territorial recém implantado. Passou então a ter o nome de “Villa” Rio Branco, em homenagem ao articulador do Tratado de limites que tornaram o Acre parte do Brasil.

Portanto, temos no período de 1882 a 1908 pelo menos três fases distintas na história da cidade, a saber:

- 1ª  Fase – 1882/1898  –  durante a qual o Seringal se torna um povoado e se consolida comercialmente na região;

- 2ª  Fase – 1899/1903 – na qual os acontecimentos da Revolução Acreana levam a Volta da “Empreza” a se tornar o centro do poder político no vale do rio Acre;

- 3ª Fase 1904/1908 – quando a agora denominada “Villa” Rio Branco consolida sua liderança política e econômica tornando-se a sede do Departamento do Alto Acre.

Em relação à configuração espacial de Rio Branco, durante todo este período a área urbana da cidade se restringiu a uma estreita faixa de terra na margem direita do rio Acre, que correspondia a uma parte da área pertencente à Neutel Maia. Inicialmente foi a Casa Nemaia e Cia., situada diante da enorme gameleira que assinalava o porto da Volta da Empreza, que serviu como referência para a construção de uma série de outros prédios seguindo o traçado da margem do rio. Formou-se, assim, um primeiro arruamento onde se estabeleceram hotéis, restaurantes, casas comerciais e residenciais construídos com a madeira que era abundante nos arredores dessa primeira rua do povoado (atualmente chamada de Rua Eduardo Assmar).

Com a extensão e adensamento da primeira rua organizam-se três áreas distintas que constituem os primeiros “bairros” do povoado. Uma pequena área residencial de trabalhadores que ocupam as terras da volta do rio Acre, acima da Gameleira, denominada Canudos. O centro do povoado da Volta da Empreza, propriamente dito, era constituído pela rua ao longo da margem do rio, no trecho entre a Gameleira e o local onde está a cabeceira da Ponte Metálica. Finalmente, formou-se outro pequeno bairro de trabalhadores, que por abrigar os habitantes afro-descendentes da cidade, recebe o peculiar nome de Rua África. Este torna-se extensão da única rua da cidade na direção do igarapé da Judia, formado quase que exclusivamente por precárias casas de palha.

Surge ainda um quarto “bairro” (para empregar um termo de época) no povoado da Volta da Empreza – Villa Rio Branco. Isto se dá durante a ocupação militar de 1903, quando diante da necessidade de aquartelar tropas na área, o comandante Gen. Olímpio da Silveira decide fazê-lo distante do centro do povoado escolhendo para tanto uma área periférica, rio acima, e ali acampa o 15º Batalhão de Infantaria do Exército. A presença de tropas atrai pequenos comerciantes que constituem um novo arruamento, também ao longo da margem do rio, para atender às necessidades dos soldados, dando origem ao bairro Quinze, cuja denominação permanece até hoje.

Portanto, ao longo deste primeiro período de formação da área urbana de Rio Branco, pode-se identificar não só sua consolidação como um espaço diferenciado em relação aos seringais da região, mas também a configuração de um primeiro ordenamento espacial que reflete a organização da própria sociedade com “bairros” diferenciados para os trabalhadores ou para os afro-descendentes da cidade.

2º  Período: Uma cidade dividida (1909-1940)

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A longa história do povoamento humano na Amazônia começa praticamente junto com a formação da floresta que conhecemos hoje. Foi, provavelmente, entre 20.000 e 12.000 anos aP (antes do presente) que os primeiros grupos humanos provenientes da Ásia chegaram de sua longa migração até a América do Sul. Eram grupos nômades de caçadores-coletores que perseguiam as grandes manadas de animais gregários que durante a idade do gelo se espalhavam pelas vastas savanas do mundo.

A Amazônia, como vimos anteriormente, era então uma ampla extensão de savanas, com apenas algumas manchas de floresta ao longo dos rios. Nesse ambiente proliferavam grandes animais como o mastodonte, a preguiça gigante (megatherium), o toxodonte, o tigre dentes de sabre e diversos outros exemplares de megafauna que, se supõe, servia de base alimentar para os bandos de caçadores gregários e cujos fósseis podem ser encontrados nos barrancos de muitos dos rios amazônicos, especialmente no Acre.

O aquecimento do clima do planeta, a partir de 12.000 anos atrás provocou o aumento da temperatura e da umidade o que levou a expansão dos sistemas florestais. Enquanto os últimos remanescentes da megafauna desapareciam - por causa da retração das áreas de pastagem e talvez também pela pressão exercida por grupos humanos – começavam a proliferar uma fauna de pequeno porte e a fauna aquática através do crescimento dos cursos d’água que ficavam cada vez mais caudalosos.

As novas teorias acerca da ocupação pré-histórica da América pretendem recuar a antiguidade do homem americano até horizontes de 50.000 a 30.000 anos, mas não existem ainda provas conclusivas sobre o assunto. O mais correto, apesar de ainda não terem sido encontrados vestígios concretos da presença humana na Amazônia durante o período compreendido entre 20.000 e 12.000 aP, podemos imaginar que o homem aqui já estivesse, junto com os animais da megafauna que caçava.

3º  Período: “Colônias-bairros”: uma cidade em expansão (1941-1970)

 

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A partir do ótimo climático (momento de aumento máximo da temperatura e da umidade do planeta) ocorrido entre 7.000 e 6.000 anos atrás começa uma segunda fase do povoamento humano da Amazônia. E tudo leva a supor que as mudanças que se processavam entre as sociedades nativas em todo o continente americano também atingiam as comunidades amazônicas.

Esse tempo de profundas modificações climáticas e ambientais deu oportunidade para o surgimento de novas formas de organização social. Os grupos humanos pré-históricos da América passaram a contar com recursos alimentares mais diversificados, graças ao ambiente de florestas tropicais, e lentamente começaram a desenvolver as primeiras experiências de domesticação de plantas e animais. Enquanto na América Central e nos Andes teve inicio o cultivo do milho, da batata e de outras sementes, nas terras baixas da Amazônia ocorriam as primeiras experiências do plantio de raízes e tubérculos - especialmente da mandioca - que se tornariam a base alimentar desses grupos.

Isso marcou o surgimento, por volta de cinco mil anos atrás, do que os pesquisadores chamam de Cultura de Floresta Tropical, caracterizada por grupos que praticavam uma agricultura ainda insipiente, complementada pela caça, pesca e coleta de frutos e sementes da floresta. A partir dessa nova organização social os grupos pré-históricos amazônicos passaram também a fabricar cerâmica e a ocupar certos locais por períodos mais prolongados. Com isso deixaram grandes sítios arqueológicos que testemunham seu florescimento por toda a Amazônia.

Ou seja, a partir do surgimento da Cultura de Floresta Tropical a ocupação humana da Amazônia alcançou o estágio de alta diversificação que os europeus encontraram ao começar a exploração da grande floresta. Enquanto ao longo dos grandes rios - na região das terras baixas alagáveis, as várzeas, que possuíam alta fertilidade natural - se estabeleceram grupos extensos que chegavam a ter milhares de integrantes, nas terras firmes se espalhavam pequenos grupos tribais que exploravam ao máximo a variedade dos recursos florestais.

Apesar das enormes distancias características da Amazônia tudo indica que durante esse período o relativo isolamento das comunidades era superado pela existência de extensas redes de comércio e comunicação que interligavam os rios amazônicos levando e trazendo notícias e produtos de áreas longínquas. Ocorriam assim trocas culturais com os outros centros de civilizacionais mais adiantados dos Andes e América Central.

Ao se iniciar o século XVI, portanto, cada grupo familiar ou tribal possuía territórios claramente definidos e os relacionamentos entre esses grupos obedeciam não só às semelhanças étnicas e culturais, mas também às alianças que foram sendo estabelecidas ao longo do tempo. Ou seja, durante os milhares de anos em que as aldeias indígenas foram compostas por grandes malocas coletivas, o povo vivia do que lhes dava a floresta e realizava grandes festas por ocasião da colheita ou de ritos de passagem que estabeleciam um sutil equilíbrio econômico, ecológico e social na região.
 

4º  Período: “Invasões-bairros”: uma cidade em explosão (1970 / 1998)

 

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A terceira fase da ocupação humana da Amazônia corresponde ao povoamento europeu da região. Lendária, mítica, rico reino do “El Dorado”, a Amazônia se tornou famosa frente aos olhos dos maravilhados europeus que não podiam acreditar que lugar tão portentoso não esconderia tesouros inimagináveis. Porém, para ter acesso a essas fantásticas riquezas seria necessário “descobrir” a Amazônia, tarefa que logo se revelaria de grande complexidade.

Inicialmente as duas superpotências da época, Portugal e Espanha, obedeciam à divisão territorial estabelecida pelo Tratado de Tordesilhas, com as bênçãos da Igreja Católica. Por esse acordo grande parte do que hoje conhecemos como Amazônia brasileira pertencia aos espanhóis. Entretanto o contato com as civilizações andinas e meso-americanas, muito ricas em metais preciosos, fez com que a Coroa espanhola demorasse a tomar efetivas ações de posse sobre a grande floresta. Somente no final da primeira metade do século XVI os espanhóis dariam início ao reconhecimento da região.

A primeira expedição européia ao grande rio foi realizada entre 1540 e 1542 pelo intrépido navegador espanhol Francisco de Orellana que partiu de suas nascentes nos contrafortes andinos em direção a embocadura, no sentido oeste-leste, seguindo a correnteza. Devemos, portanto, ao escrivão dessa expedição, Gaspar de Carvajal, as primeiras descrições feitas sobre a grande floresta amazônica e sua infinitude de ambientes e culturas.

Entre as muitas peripécias narradas por Carvajal tornou-se especialmente famoso o feroz ataque que um grupo de mulheres guerreiras realizou contra a expedição de Orellana. Os espanhóis ficaram muito surpresos com a coragem e habilidade daquelas mulheres que pareciam comandar os homens que lutavam junto com elas. Isso fez com que Carvajal se referisse a elas como as lendárias Amazonas, que desde a Grécia antiga povoavam a imaginação européia. Fantasia ou não, o certo é que desde então este rio ficou conhecido como o “rio de las amazonas”. Nome que além de batizar a maior bacia fluvial do mundo também nomeou sua imensa floresta como Amazônia.

Apesar de seu caráter pioneiro a expedição de Orellana não deixou outros frutos duradouros, além da denominação mítica que estabeleceu. A região voltou então a pertencer exclusivamente aos cerca de 5.000.000 (segundo uma das muitas estimativas existentes) de índios que ali habitavam e que também haviam sido motivo da admiração dos relatos de Carvajal, tal sua quantidade e organização. Em suas crônicas de viagem Gaspar de Carvajal descreve a existência de enormes aldeias com quilômetros de extensão ao longo das margens dos rios. A partir dessas grandes aldeias curacas (caciques) poderosos comandavam milhares de guerreiros quando necessário, reforçando os mitos que davam conta do reino de Manoa, do Lago Parima, ou do El Dorado, ocultos no interior da floresta. Entretanto, esses relatos não foram suficientes para motivar novas e imediatas investidas européias a região.

Só duas décadas depois, em 1560-61, outra expedição comandada por Dom Pedro de Ursuá, espanhol Governador de Bogotá percorreu o grande e misterioso “rio de las amazonas”. Esta expedição seguia basicamente o mesmo roteiro da viagem de Orellana. Ou seja, partiu da região das nascentes do rio em direção a sua foz, no sentido oeste-leste, acompanhando a direção da correnteza que facilitava muito sua navegação.

Entretanto, o nobre espanhol Dom Pedro de Ursuá não teria a mesma sorte de seu predecessor e nem chegaria a ver o Oceano Atlântico a partir das águas amazônicas. Um motim realizado pelo feroz Lope de Aguirre fez com que fosse assassinado por seus próprios homens. E, tal como a anterior, essa expedição não apresentou nenhum resultado para o povoamento definitivo da região pelos europeus. Muitas décadas se passariam antes que novas investidas sobre a grande floresta fossem realizadas.

 

5º  Período: Obras estruturantes (1999-2005)

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Como vimos, apesar de sua posse ser garantida pelo Tratado de Tordesilhas, os espanhóis não se interessaram por povoar a Amazônia. Limitaram-se a realizar expedições esporádicas que pouco contribuíram para o conhecimento e a ocupação da região. Assim os espanhóis deixavam a primazia de seu povoamento aos portugueses, a quem segundo Tordesilhas pertencia o baixo Amazonas. E estes não vacilaram em tomar as iniciativas necessárias para seu efetivo controle.

Colaborou para isso o fato de que em 1580 ocorreu a União das Coroas Ibéricas sob o comando do Rei de Espanha, o que tornou totalmente inútil o Tratado de Tordesilhas. Os portugueses habilmente se aproveitaram dessa circunstância histórica para ampliar seu domínio sobre a Amazônia que já começava a sofrer ameaças de invasão de ingleses, franceses e holandeses. Urgia ocupar a grande floresta antes que outros o fizessem.

A expulsão dos franceses do Maranhão que ali tentaram estabelecer a França Equinocial alertou os portugueses para a importância da defesa da região. Como conseqüência coube a Francisco Caldeira Castelo Branco fundar em 1616, na foz do rio Amazonas, o Forte do Presépio que além de proteger o grande rio de possíveis invasões estrangeiras, deu origem a atual cidade de Belém e serviu como ponta de lança para o povoamento da Amazônia.

Era necessário, entretanto alargar os domínios portugueses para oeste para assegurar a exploração das riquezas ocultas da floresta e que povoavam o imaginário europeu na época. Para tanto foi organizada uma grande expedição que se revelaria decisiva para a conquista portuguesa da amazônia. Coube ao capitão Pedro Teixeira o comando da expedição composta por cerca de 2.000 pessoas, sendo a grande maioria de índios que estavam acostumados com as características climáticas e ambientais da região.

A expedição que partiu em 1637 se lançou rio Amazonas acima, seguindo o caminho inverso de todas as expedições realizadas até ali. A viagem feita contra a força da correnteza foi longa e penosa, durando mais de dez meses. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas Pedro Teixeira conseguiu completo sucesso ao chegar a Quito em plena América espanhola, estabelecendo diversos marcos de ocupação territorial portugueses.

A presença do Padre Cristóbal de Acuña como emissário da Coroa espanhola encarregado de registrar todas as atividades da expedição não impediu Pedro Teixeira de estabelecer um marco de fronteira na confluência dos rios Napo e Aguarico em nome de Felipe IV, “Rei de Portugal”. A ousadia de Pedro Teixeira parecia prenunciar a separação das Coroas Portuguesa e Espanhola que ocorreria pouco depois, em 1640. O certo é que por mais de um século, até as negociações do Tratado de Madrid em 1750, as pretensões portuguesas sobre a Amazônia foram balizadas pela expedição de Pedro Teixeira.

Até mesmo o relato das riquezas do rio das Amazonas feito por Acuña foi insuficiente para interessar a Coroa Espanhola de estabelecer um domínio verdadeiro sobre a planície amazônica. Pesavam mais para os espanhóis a enorme abundancia de metais preciosos e de mão de obra disponível nas montanhas. Por seu lado os portugueses se lançavam a conquista do espaço amazônico de diferentes maneiras.

As expedições de exploração se multiplicavam, bem como o estabelecimento de fortificações que pudessem proteger os pontos estratégicos da grande bacia fluvial. A expedição de Raposo Tavares que saiu de São Paulo, em 1648, atingindo o rio Paraguai e daí até o rio Guaporé, passando pelo Madeira, até chegar ao Solimões-Amazonas, consolidou a integração entre o sul e o norte da colônia portuguesa e estabeleceu os principais limites da expansão portuguesa na América.

Era necessário não só conhecer, mas também ocupar definitivamente o espaço amazônico. Para tanto, ao longo do tempo, diversos fortes foram construídos para barrar o caminho de ingleses, franceses e espanhóis e consolidar a conquista da Amazônia para os portugueses. Entre os mais importantes estão dos fortes de São José do Rio Negro, de Gurupá, de São Gabriel das Cachoeiras, de Macapá, de São Francisco Xavier de Tabatinga, de São José de Marabitanas, de São Joaquim e Príncipe da Beira.

Além da proteção contra outros europeus os Fortes também serviam ao propósito de estabelecer núcleos de povoamento a partir dos quais pudesse ser estabelecida a colonização. Na Amazônia os principais recursos explorados pelos portugueses foram a mão-de-obra indígena e as “drogas do sertão” (cacau, tabaco, salsaparrilha, entre muitos outros produtos animais e vegetais) que se constituíam em especiarias de alto preço no mercado europeu.

Além de serem capturados pelos soldados portugueses, os índios amazônicos passaram a sofrer a ação dos missionários de diversas ordens religiosas que se dedicavam a reduzir e escravizar homens e mulheres para o trabalho de produção de riquezas para a Coroa. Os diversos povos amazônicos resistiram o quanto puderam, mas a avalanche européia trazia inúmeras armas desconhecidas. Além de uma tecnologia muito mais avançada, os brancos trouxeram também muitas doenças contra as quais os índios não possuíam resistência. O sarampo, a gripe, a tuberculose e outras doenças rapidamente se alastraram entre os grupos indígenas da região dizimando aldeias inteiras diante de pajés que não sabiam como curar aquelas moléstias desconhecidas. Isso sem falar da completa falta de escrúpulos dos europeus quando se tratava de ganhar dinheiro.