Temer perdido no caos

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   Quais são as chances de um presidente da República opaco, assessorado por um ministro da Justiça truculento e despreparado resolverem o problema das chacinas nos presídios brasileiros?

   Recentemente a Folha de S. Paulo publicou um editorial afirmando que Alexandre de Moraes estava perdido no caos. Acertou, mas faltou dizer que, mais do que ele, quem está perdido no caos é Temer.

   Desde o início das carnificinas o que se viu e ouviu foi um festival de insanidades para explicar os banhos de sangue que insistem em se repetir.

   “Guerra de facções”.

   “Um acidente pavoroso”.

   “Ali não havia nenhum santo”.

   “Bangu você tem que fazer melhor”.

   “Precisa de uma chacina por semana”.

   “Quando um preso quer matar outro não tem como evitar”.   

   Nenhuma “autoridade” foi capaz de ir além de diagnósticos errados e de soluções paliativas e imediatistas. “Manda a Força Nacional”. “Manda os líderes para outros presídios”.

   Nem mesmo a mais serena das autoridades, a ministra Carmen Lúcia foi capaz de ir além de mandar recontar quantos presos há no país e de fazer mutirão para soltar os que nem condenados foram ou que já cumpriram suas penas.

   Sem ter a menor noção do que fazer, Temer teve a brilhante ideia de reunir todas as “autoridades” para debaterem a questão.

   Ninguém foi capaz de entender e de contar aos brasileiros que a gênese das chacinas nos presídios e nas favelas de todo o Brasil é a mesma de Chicago nos anos 20: a lei seca.

   A cidade foi invadida por quadrilhas (no Brasil chamadas de “facções”) que disputavam a venda do uísque que de uma hora para outra foi colocado na clandestinidade.

   Era uma guerra comercial, mas, como o comércio foi criminalizado os atritos entre os “empresários” não podiam ser resolvidos nas câmaras de comércio e sim nas ruas de Chicago. Tal como hoje são resolvidas nas ruas do Rio de Janeiro.

   Nenhuma medida repressiva deu conta de acabar com os massacres tanto entre uma quadrilha e outra quanto entre as quadrilhas e a polícia. A guerra só acabou quando a lei seca foi revogada. Pessoas com cérebro descobriram que acabar com o uísque era impossível.

   O uísque de Chicago é a maconha e a cocaína de hoje. A maconha, que é apenas uma planta não venenosa foi transformada em vilã. Ao ser proibida, virou ouro e quem se apropriou dela foram as quadrilhas. A cocaína é um produto de laboratório que foi divulgada por Freud e era vendida nas farmácias brasileiras nos anos 20.

   Com todos os defeitos e erros que podem ser atribuídos a ele, o único político de relevância que percebeu que a saída não é reprimir, mas liberar foi Fernando Henrique Cardoso. Lamentavelmente, não teve seguidores até agora.

   E chegamos aonde chegamos.

   Há alguns meses o atual ministro da Justiça prometeu “erradicar” a maconha em toda a América Latina.

   Mais difícil do que erradicar a maconha é erradicar a ignorância.

   Temer está perdido no caos.

 

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