“A classe política deve desculpas ao país”, diz Jorge Viana

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Da tribuna, senador afirma que TSE não julga apenas Dilma, nem o atual presidente. “O julgamento é de todos nós, é do sistema político-partidário brasileiro, cuja validade venceu”

O segundo dia de julgamento pelo Tribunal Superior Eleitoral do processo que pede a nulidade do resultado das eleições de 2014, quando Dilma Rousseff e Michel Temer foram eleitos por 54,5 milhões, repercutiu nesta quinta-feira no Congresso Nacional. O senador Jorge Viana (PT-AC) subiu à tribuna e cobrou da classe política brasileira um pedido de desculpas à sociedade. “Precisamos fazer uma espécie de pedido de desculpa coletivo, seja por omissão, seja por conivência, seja porque cometemos ou foram cometidos erros gravíssimos”, disse. Ele voltou a defender as eleições diretas como saída para o impasse.

Viana declarou que passou da hora dos políticos reconhecerem a gravidade da crise institucional. “O sistema político, eleitoral e partidário apodreceu, como o remédio que perdeu a validade. E o remédio que perde a validade perde o poder de curar, e, como se houvesse passado já muito tempo que esse remédio perdeu a validade, ele agora virou veneno”, disse. O senador declarou que o povo não aguenta mais os sobressaltos de tantos escândalos. “Está na hora de todos nós entendermos que é preciso promover uma grande mudança no nosso país”, declarou. 

“O caminho é termos, como defendíamos, eleições diretas, mas isso depende da boa vontade dos líderes do Senado e da Câmara”, disse, no discurso. “Boa vontade! Imagine se vamos encontrar a boa vontade daqueles que tomaram de assalto o Palácio e o poder, devolvendo ao povo o direito de decidir quem governa o país. Acho que não vão tomar essa atitude digna”, lamentou. O senador disse que é preciso bom senso neste momento. “A crise ficou tão grande, que não tem jeito: esse governo não tem como seguir, porque perdeu completamente a condição de governar o país”.

“Aquele julgamento não é apenas da ex-presidente Dilma (Rousseff), não é nem do atual presidente (Michel Temer), é de todos nós, é do sistema político-partidário brasileiro, cuja validade venceu, que perdeu o respeito da sociedade porque não conseguiu se livrar das tentações e procurou estabelecer uma convivência com o malfeito, com a corrupção, com o abuso do poder”, discursou. “Isso é um fato. Não significa dizer que todos têm que assumir que cometeram um crime, não, mas erros certamente todos nós cometemos”.

Viana lembrou que a ação que está sendo analisada pelo TSE foi apresentada pelo PSDB, que perdeu as eleições em 2014, não se conformou com o resultado das eleições e recorreu ao tapetão. “O PSDB foi mais longe. Alguns líderes acusaram o PT, agrediram, xingaram, se arvoraram, cheios de razão, em apontar o dedo para todos como se não tivessem culpa nenhuma”, comentou, advertindo: “Parece até que é o feitiço se virando contra o feiticeiro”.

“Passaram-se quase três anos e o resultado é desastroso para aqueles que entraram com os recursos, porque agora não só não conseguem explicar a podridão que estavam metidos como também têm extrema dificuldade para tornar públicos os seus interesses, já que agora, depois do falseado impeachment, do golpe parlamentar, eles são parte do governo, que não passou nas urnas e que veio dessa ação parlamentar capitaneada pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, pelo próprio Michel Temer e pelas lideranças que dão sustentação a este governo aqui no Congresso”.

O parlamentar declarou que o Temer busca interferir na resultado do julgamento. “O presidente está se pegando a todo custo, tentando intervir, interferir no Tribunal Superior Eleitoral, mudar votos”, disse. “Quanto custará se sobreviver ao TSE?”. Ele lembrou que nem mesmo os setores da mídia que apoiaram o governo num primeiro momento, após o impeachment, mantém seu aval ao Palácio do Planalto. “A imprensa inteira ficou perplexa quando descobriu os crimes praticados pelos ocupantes do palácio”, observou.

Segundo o senador acreano, é preciso que os políticos tenham humildade. “Se tivéssemos o bom senso e o senso de responsabilidade com o país e com o nosso povo, nós teríamos algum entendimento para mudar de novo o governo, tirar o governo que está ali no Palácio, que já não se sustenta em pé”, apontou. Ele advertiu que o governo tenta se manter no poder de qualquer maneira, a um custo muito caro para as instituições e para a vida pública nacional.  

Ele ressaltou que, nos próximos dias, a Procuradoria Geral da República deve apresentar denúncia contra Temer, acusando-o formalmente de ter cometido crimes. “Quanto vai custar para o país, para o cidadão brasileiro, para tão sonhada retomada do mínimo de estabilidade institucional, política e econômica, um processo desse debatido na Câmara dos Deputados?”, questionou.

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