Neutel Maia

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Embarcado no vapor Apihy, o cearense Neutel Maia subiu o rio Acre, entre 1881 e 1882, a procura de terras livres para se tornar seringalista, como tantos outros aventureiros que vinham aos milhares para o deserto da Amazônia Ocidental. Assim, em 28 de dezembro de 1882, fundou o seringal Volta da Empreza, mas logo descobriu que era mais comerciante do que seringalista, fundou a Casa NEMAIA & Cia e começou a negociar o gado boliviano que vinha dos campos ao sul com os seringais da região.

Com isso Neutel Maia vendeu terrenos de seu seringal para outros comerciantes que tornaram o porto da Volta da Empreza num movimentado. Porém, quando estourou a Revolução Acreana, em 1899, Neutel de imediato se colocou contra a insurreição e a favor dos bolivianos com os quais negociava. E durante toda a Revolução ele se manteve firme nessa posição, chegando a ser preso por Galvez e francamente hostilizado por Gentil Norberto.

Pouco tempo depois da assinatura do Tratado de Petrópolis e da criação do Território Federal do Acre, em 07 de setembro de 1904, o povoado da Volta da Empreza foi elevado à condição de Villa Rio Branco e passou a abrigar a sede do Departamento do Alto Acre. Até que, em 1920, Rio Branco se tornou capital de todo o Território unificado. Ou seja, apesar de todas as contradições de sua biografia, Neutel Maia passou á história do Acre como o fundador da maior e mais importante cidade acreana.

Como que para coroar a singular trajetória de Neutel Maia, conta-se que sua partida do Acre se deu em razão de intrigas políticas e que, por isso, na hora da partida do vapor que o levaria embora pra sempre, Neutel, do alto de sua ironia, amaldiçoou a cidade que ele mesmo havia fundado. Porém quis o destino que tempos depois viesse a morrer no Rio de Janeiro, vitimado por um infeliz atropelamento em plena avenida RIO BRANCO.