Hélio Melo

E-mail Imprimir PDF

Hélio Holanda de Melo se tornou um dos artistas acreanos mais autênticos, trazendo em si a mais moderna das contradições: ser ao mesmo tempo primitivo, supersticioso, regional, eclético, universal, multimídia e contemporâneo. Sua sensibilidade expressava-se através das mais diferentes formas de arte. Era pintor, escritor, musico, contador de estórias e circunstancialmente jornalista, videasta e ator. Tudo de forma espontânea.

Nascido no seringal Senápolis, às margens do rio Acre no ano de 1926, mudou-se para o seringal Floresta, na mesma região do município de Boca do Acre (Amazonas). Aos doze anos já trabalhava nas estradas de seringa mas, como ele mesmo admite, tinha medo das coisas do mato, razão pela qual sua produção era muito pequena se comparada com a dos outros seringueiros.

Durante a infância no seringal Hélio Melo aprendeu a ler e escrever e acabou descobrindo que tinha muito gosto pelo desenho e pela musica. Foi ali também que ouviu dos índios Apurinã, histórias dos seres da floresta, fossem eles animais, vegetais e/ou seres encantados, como seu velho amigo: o “Mapinguari”.

As dificuldades da vida no seringal, trouxeram Hélio para Rio Branco em 1959. Logo começou a trabalhar de catraieiro e, além de transportar as pessoas de um lado ao outro do rio Acre, transportava as conversas e as novidades da vida na cidade. Irrequieto, criou o “Jornal da Catraia”, feito de forma artesanal e que circulava todas as terças-feiras. Foi também barbeiro ambulante, vigia e cada vez mais artista plástico e musico.

A pintura de Hélio, tão original em seus motivos, cenários e cores começou a chamar a atenção e logo apareceram convites para exposições em diversas cidades do Brasil e da Itália. As paisagens de seringais e seringueiros, da introdução dos pastos e devastação da floresta, pintados com uma mistura de tinta industrializada e de produtos nativos da floresta, serviam para retratar seu maior amor: as luzes da floresta.

Na musica, apesar de autodidata, como em todas as suas atividades, foi compositor e se especializou em tocar cavaquinho e rabeca, sempre em estilo popular. Tudo em Hélio Melo era assim, parecia deslocado no tempo, parecia fazer parte de um passado que apressadamente julgamos ultrapassado, mas que logo mostrava-se completamente autêntico e atual. Na verdade, observando a arte de Hélio Melo é fácil perceber que ele veio para a cidade, mas seu coração nunca saiu do interior das florestas.