Daniel Pereira de Mattos

E-mail Imprimir PDF

Daniel Pereira de Mattos nasceu em 13 de julho de 1888, na antiga freguesia de São Sebastião de Vargem Grande, no Maranhão. Ainda criança, ingressou como aluno na Escola de Aprendizes Marinheiros, de onde vem a sua formação básica e profissional.

Foi na condição de marinheiro que conheceu o Acre, em 1905, embarcado em uma fragata da Marinha de Guerra Brasileira, que trazia o batalhão de paz para guarnecer o novo território brasileiro.

Após essa viagem e outras escolheu o Acre para viver e, desde o dia 7 de abril de 1907, aqui fez sua moradia. Trabalhou nos seringais com os líderes da revolução acreana, entre eles o Cel. Plácido de Castro e José Galdino. Na década de 20, morava na antiga Rua da África (atual Rua 1º de Maio) e no Bairro 06 de Agosto estabeleceu sua barbearia, bem como na Rua Epaminondas Jácome, na época de sua construção, em 1925.

Tratava-se de um homem extremamente habilidoso que desempenhava diversos ofícios com igual desenvoltura. Assim, pôde ser barbeiro, sapateiro, marceneiro, carpinteiro, alfaiate, artesão, cozinheiro e músico. Na verdade, Daniel era um grande compositor e intérprete. Tocava em vários estilos, como valsa, choro, marcha e samba, e construía violão, violino e cavaquinho. Era um reconhecido tocador de violão, e dava sua grande contribuição para a sociedade acreana, principalmente nas décadas de 30 e 40, escrevendo e ofertando partituras musicais para a Banda da Antiga Guarda Territorial do Acre, que tocava suas músicas nas retretas da cidade.

Após vivenciar conflitos, de natureza familiar e problemas de saúde durante vários anos, foi acolhido pelo conterrâneo e amigo, Raimundo Irineu Serra, em 1937, época em que iniciou os trabalhos com a Ayahuasca. Esse encontro trouxe um novo significado para sua existência, visto que os benefícios que Deus lhe concedeu, em cura física e espiritual através da Ayahuasca, estenderam-se a centenas de pessoas desta terra.

No ano de 1945, Mestre Daniel funda uma nova prática religiosa, unindo, em meio à floresta acreana, tradições religiosas de origem afro e do catolicismo popular, com o uso ritual da Ayahuasca, bebida de origem indígena. Logo se estabelece em um pedaço de terra emprestada do compadre Manoel Julião, na Vila Ivonete, que era parte do Seringal Empresa, e constrói uma capelinha de taipa, coberta de palha, e consagra a São Francisco das Chagas, santo de sua devoção.

Após o seu falecimento, em 1958, seus discípulos deram continuidade a sua Missão, atendendo e auxiliando a todos que procuram a sua casa.