Juvenal Antunes

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Baixo, magro, fronte saliente, olhos agateados, nariz recurvo, lábios delgados, queixo fino e sardento, o procurador público e poeta Juvenal Antunes de Oliveira nasceu no dia 29 de abril de 1883, no engenho Oiteiro, em Ceará-Mirim (RN). Estudou no Recife, no Colégio Phaternon e no Ateneu Norte-Rio-Grandense. Ingressou depois na Faculdade de Direito do Recife. Foi promotor público no Açu e secretário na Saúde Pública do Estado. Por essa época fundou o jornal A Capital.

Influenciado pelo irmão, Ezequiel Antunes, oficial-médico do Exército, que lhe censurava a vida boêmia, resolveu tentar o Norte do país, seguindo para Belém. Aí pouco se demorou, viajando para Sena Madureira, no Acre, onde trabalhou como promotor público e delegado de Polícia (1913). Mais tarde serviu na promotoria acreana de São Pedro do Icó (1914), transferindo-se depois para o Abunã (Plácido de Castro) e para Porto Acre.

Nos anos 20 e 30, o cenário boêmio do Acre conheceu o ilustre hóspede do hotel Madri. Em 1929 era promotor titular de Rio Branco. Na capital, permaneceu doze anos, fazendo algumas viagens a Natal para rever a família e amigos.

Imortalizou-se nos versos do poema “Elogio da Preguiça”, signo de seu humor. Foi também colunista do jornal “A Folha do Acre”, onde, aos domingos, parodiava o professor Charley, adivinho que se hospedou no hotel Madri, publicando um horóscopo bem humorado e em forma de poesia, prevendo o destino das celebridades da época.

Publicou apenas dois livros, que são considerados em nível muito inferior ao seu fabuloso talento. Foram eles Cismas, (1909-Natal) e Acreanas, (1922-Acre). Mas deixou inéditos, além de um livro, Cartas a Laura, versos inumeráveis e cartas que dariam para encher vários outros volumes.

E, em Manaus no dia 30 de abril de 1941, o homem que enchia os dias acreanos de poesias e sorrisos, também primeiro passageiro da virtual balsa de Manacapuru, embarcou numa viagem para o mundo das idéias, lembranças e saudades.