Mestre Irineu

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Raimundo Irineu Serra, nasceu na vila de São Vicente Ferrer, região da Baixada Ocidental Maranhense. Foi batizado pelo venerando padre José Bráulio (sua mãe, dona Joanna d’Assunção Serra, era católica devotada). Seu padrinho o tio Paulo Serra teria papel decisivo em sua vida, pois foi quem ficou responsável por ele quando o pai Sancho Martinho faleceu e sua mãe ficou sozinha para criar os seis filhos, dos quais o primogênito era Irineu.

Desde cedo se destacava pela grande estatura física, incomum entre o povo da região, Irineu era ainda um adolescente quando uma briga de rapazes num “tambor de crioula” fez com que Raimundo Irineu Serra deixasse a terra onde nasceu e ganhasse mundo em direção a São Luís, a capital. Só retornaria ao Maranhão, em fins da década de 50.

Em 1912 chega ao Acre, aos vinte anos de idade, integrando o movimento migratório de nordestinos para trabalhar na extração do látex. Vai até Xapuri onde mora por dois anos. Posteriormente segue para os seringais de Brasiléia, vivendo durante três anos nas fronteiras do Acre com a Bolívia e o Peru.

Foi nesse período que Irineu aprendeu a reconhecer o cipó Jagube e a folha Chacrona na floresta, tendo como companheiros de iniciação os irmãos Costa que já haviam fundado ali o primeiro centro esotérico de utilização da Ayahusca do Acre. A partir dessa iniciação Mestre Irineu, como passou a ser conhecido, organizou uma nova doutrina religiosa que reunia conhecimentos indígenas, afro-brasileiros e principalmente fundamentos do catolicismo, que foi estabelecida em Rio Branco a partir de 1930.

Conforme os relatos de companheiros do Mestre Irineu Serra com a utilização da Ayahuasca intensificou-se para ele a aparição de Clara, ou Nossa Senhora da Conceição, Rainha da Floresta. Seguindo suas instruções Mestre Irineu recebeu o nome de Santo Daime para o chá: Daí me amor, Daí me luz, Daí me força, se tornam expressões características da Doutrina.

Entre 1945 e 1971, Mestre Irineu consolidou sua comunidade na Colônia Custódio Freire, no lugar que se tornou conhecido como Alto Santo e hoje é patrimônio histórico e cultural de Rio Branco e do Acre.