Tescon

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A ocupação das terras acreanas para abertura dos seringais foi muito rápida e violenta para com os povos indígenas que viam suas terras serem tomadas e comunidades inteiras sendo massacradas pelas doenças e violência dos “brancos. Até que um dia voltou Tescon que havia nascido Caxinauá mas foi capturado e criado por peruanos. Tescon já sabia falar espanhol e português, mas não deixava de falar em sua língua própria, até porque tinha ódio aos invasores.

Tescon andou por todos os rios procurando por seus parentes e não demorou muito a encontrá-los. Uma sombra da orgulhosa nação Caxinauá - os Huni Kui, a gente verdadeira. Levou-os então para as cabeceiras do igarapé Forquilha, afluente do rio Liberdade, e lá construiu sua maloca.

Os Caxinauás de Tescon organizaram roçados, ergueram grandes malocas, voltaram a pescar e caçar como antes e começaram eles mesmos a tirar das arvores o leite branco que tanto valor tinha para os invasores. Juntaram-se outras nações como os Eskinauas e Rununauas.

Desde então os invasores não mais puderam fazer correrias contra eles. Dizia-se que já matara trinta e quatro peruanos.

Quando, em 1907, o engenheiro Nunes de Oliveira andava pela região, foi conhecê-lo e viu que Tescon conseguira reunir mais de trezentos índios em cinco grandes malocas e mantinha regular comércio com os seringais vizinhos, abastecendo-os com seus roçados e negociando inclusive sua própria produção de borracha.

Um dia, foi convidado pelos Araras (Tachinauas), contra quem já havia lutado no passado, para uma grande pescaria. Apesar dos conselhos contrários, decidiu ir, mas, numa emboscada traiçoeira, os Araras conseguiram matar o grande Tescon. Corria, então, o ano de 1914 dos invasores.