Angelina Gonçalves

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Alguns a tratam como uma personagem lendária, apesar da participação de Angelina Gonçalves em um dos episódios da sangrenta Revolução Acreana, ter sido registrada por documentos e relatos do período revolucionário.

Segundo a historiografia tradicional logo após o primeiro combate da Volta da Empreza (18 de setembro de 1902), que foi vencido pelos soldados bolivianos, as casas de todos os que habitavam este povoado foram invadidas na busca frenética pelos revolucionários fugidos. E numa pequena casa do lugar conhecido como Forte de Veneza, onde hoje se encontra o Bairro Cidade Nova, os soldados bolivianos entraram atirando e atingindo de morte um brasileiro que nada tinha a ver com a guerra que se estava travando.

Ao ver seu marido brutalmente assassinado Angelina tomou a arma de um dos soldados e disparou contra eles no exato momento que entrava na casa o comandante boliviano Cel. Rojas atingindo-o no ombro. Ao ver seu chefe atingido os soldados voaram sobre Angelina querendo trucidá-la imediatamente, ao que se ouviu a voz do comandante ferido que ordenava: “Libertem-na. Mulheres assim não se matam. Se o exército acreano tiver dez homens tão corajosos como essa mulher já perdemos a guerra.”

Alguns historiadores brasileiros se encarregaram de tornar Angelina uma heroína da vitoriosa Revolução, havendo ainda outros relatos, não confirmados, que desde o episódio acima descrito, ela se tornou uma feroz combatente, chegando a fazer com que o Cel Plácido de Castro tivesse muito trabalho para conte-la e impedir que estivesse sempre à frente dos combates que se seguiram.

De uma forma ou de outra, a história de Angelina Gonçalves é importante por revelar a participação de diversas mulheres na Guerra do Acre, acompanhando os soldados, cuidando de sua alimentação, roupas e feridas, enquanto durou o conflito.