João Eduardo

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João Eduardo do Nascimento nasceu no dia 23 de junho de 1943, no seringal Jurupari, próximo ao município de Feijó. Passou a infância nesse seringal ajudando sua mãe no corte da seringa. Não chegou a conhecer o pai, pois este faleceu antes mesmo de seu nascimento.

Aos 12 anos de idade decidiu sair de casa e procurar novas oportunidades de trabalho. A partir de então, trabalhou em muitos seringais acreanos e da região do Amazonas. Aos 25 anos, conheceu Dona Maria (sua esposa) no seringal São José, próximo a Boca do Acre, e um ano depois se casaram. Desse matrimônio nasceram seis filhos: duas mulheres e quatro homens.

Ainda nos anos 70 vieram para a cidade e, ao chegar em Rio Branco, João Eduardo foi trabalhar como ajudante de pedreiro, carpinteiro e eletricista. Trabalhou na construção da Ponte Sebastião Dantas e do colégio Meta. Moraram no bairro 6 de Agosto até 1974, quando uma grande alagação ocasionou a perda de quase todos os pertences da família. Mudaram-se então para o recém-ocupado bairro Bahia.

No início de 1979, o Acre vivia o drama da “invasão dos paulistas” que fez a cidade de Rio Branco inchar rapidamente. Neste contexto muitas famílias ocuparam uma grande área de terra nas proximidades do bairro Bahia. Por ser uma área de difícil acesso, com muito mato e sem energia elétrica, as famílias residentes no Bahia eram constantemente importunadas por pessoas que se aproveitavam da situação para causar problemas. Conscientes dos problemas de uma ocupação desordenada, os moradores formaram uma comissão encarregada de demarcar e distribuir os lotes junto aos necessitados, e essa comissão passou a ser liderada por João Eduardo que já realiza um trabalho missionário através das Comunidades Eclesiais de Base.

Nesse processo de ocupação na cidade, assim como acontecia na floresta, existiam os “grileiros urbanos” que se apossavam de terrenos para depois vendê-los, principal questão a ser combatida pela comissão. Um dos moradores, conhecido por “Ventinha” ocupou mais um terreno, o que não foi aceito pela comissão. O conflito se estendeu até que, em 18 de fevereiro de 1981, João Eduardo foi alvejado, com um tiro no ombro esquerdo, enquanto, juntamente com outros companheiros, demarcava lotes na área.

No dia 18 de março de 1981, com um mês do assassinato, foi organizada uma passeata que saiu do pátio da Assembléia Legislativa até o local onde João Eduardo foi assassinado, e lá fincaram uma placa com o nome do líder. Surgia assim o Bairro João Eduardo.