Amadeo Rodrigues Barbosa

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Quando ele nasceu em Viseu, Portugal, em 12 de janeiro de 1894 as grandes navegações portuguesas já tinham acontecido há 400 anos. Mas Amadeo Rodrigues Barbosa trazia no sangue a sina dos que dedicaram suas vidas aos mares e terras nunca dantes conhecidos.

Que outro motivo poderia levar um menino de dez anos a embarcar como clandestino em um navio com destino ao Brasil? O certo é que o pequeno Amadeo, descoberto, se tornou o mascote da tripulação durante o restante da viagem. Além disso, Amadeo não tinha medo do trabalho. Tanto que com apenas dois anos de Rio de Janeiro, conseguiu juntar algum dinheiro para embarcar para Manaus.


Graças as suas economias e ao trabalho com outra família portuguesa Amadeo conseguiu comprar uma partida de mercadorias e embarcou para o Acre. Em Rio Branco, entre 1908 e 1910 vendeu suas mercadorias para outros comerciantes. Depois de algumas viagens Amadeo já havia conseguido acumular um bom capital.

Então Amadeo fez algo inusitado e internou-se profundamente na Bolívia com suas mercadorias em busca de novas oportunidades. Comprou a Santa Rita, uma fazenda de gado na região do Beni, começando a realizar a importação de gado boliviano para o Acre.

Necessário lembrar que esse era um empreendimento tão custoso quanto arriscado. Afinal eram mais de 30 dias de viagem para vencer a distancia entre sua fazenda e o Acre. Destes, 18 a 20 dias em plena mata bruta, conduzindo 400 a 600 cabeças de gado, tendo todos os rios contra si, já que no norte da Bolívia os rios correm para o leste e Amadeo seguia para o norte.

Amadeo chegava a perder então mais de 20 % do gado que conduzia nessas arriscadas travessias. Mas valia a pena, o gado valia seu peso em borracha o que significava dizer, ouro. Um Português, agora naturalizado tanto brasileiro como boliviano. Assim, de um simples comerciante, Amadeo havia se tornado fazendeiro e importador internacional, cuja principal atividade era interligar comercialmente duas partes dessa Amazônia ocidental que haviam sido separadas por uma guerra, apenas poucos anos antes.

Os doze filhos, de seus quatro casamentos, ainda vivem lá e cá. Uma improvável família luso-brasilio-boliviana.