Fontenele de Castro

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Manoel Fontenele de Castro nasceu em 8 de junho de l898, em Viçosa, no Ceará, terceiro filho homem de uma prole de onze do casal José de Castro e Maria Fontenele de Castro.  Tangido pela seca inclemente, certo dia embarcou num navio à lenha e aportou no Rio Envira, em Feijó, para ser seringueiro aos vinte anos. O seringal inóspito e selvagem não assustou aquele jovem robusto e destemido, mas não era seu destino.

Veio para Rio Branco onde sentou praça como soldado da Polícia Militar do Território Federal do Acre, galgando sucessivos postos na corporação. Anos depois o comando da Polícia Militar lhe chegaria por merecimento, em vários governos sucessivos, como homem de confiança de quantos vinham do Rio de Janeiro gerir o Território. Jamais, porém, curvou-se a qualquer poderoso de plantão.

Mas, sua atuação na área civil também foi ampla e intensa, como Delegado de Obras, Delegado de Polícia, Chefe de Polícia, Secretário Geral do Governo, Prefeito de Rio Branco. Além disso governou o Território Federal do Acre, interinamente, por cinco vezes, até ser nomeado governador titular pelo Presidente Juscelino Kubitschek.

Fontenele foi um dos construtores do Acre na plena acepção da palavra. Com seus soldados ergueu prédios, abriu estradas, construiu pistas de pouso - quase todas as do Acre, fez portos, mas, principalmente, projetou-se como um dos chefes políticos mais acatados e ouvidos da região durante toda sua vida, lutando ferrenhamente pela autonomia do Território.

Desportista, tornou-se figura de proa do Rio Branco Futebol Clube, que presidiu em memorável época.  Fontenele, aliás, tinha algo em comum com o clube de seu coração nascera no dia 8 de junho, o mesmo da fundação do Estrelão. Sua casa, o Casarão da Avenida Brasil - a primeira a ter piscina no Acre - era frequentada por políticos, populares, governadores, notáveis, a gente humilde que adorava aquele cidadão de voz ríspida, aparentemente intratável, mas de um coração imenso e bondade incomum, justo e sereno. Mais tarde ali funcionou um importante restaurante e ponto de encontro da intelectualidade e de políticos. Tal sua importância na história acreana que, em 2010, foi tombada como patrimônio cultural e arquitetônico do Estado do Acre.

Incapaz de permanecer sentado numa cadeira, como deveria ficar por ordem médica, após ter colocado no coração um marca-passo, um dia Fontenele foi para a estrada de Xapuri, onde se consumava a ligação de Rio Branco a Xapuri, contrariando apelos da esposa, dos filhos e dos amigos. No acampamento, mal alimentado e dormindo pouco, o coração não resistiu. Viajou muito doente, para morrer no Rio de Janeiro, no dia 25 de outubro de 1965. Dois dias depois seu corpo voltou para Rio Branco para ser carregado por uma multidão em prantos, numa impressionante e inesquecível homenagem a um dos maiores homens públicos que o Acre já teve, em qualquer tempo.