João Mariano

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Não resta nenhuma dúvida que João Mariano, a partir de um enorme esforço pessoal, se tornou um dos mais importantes jornalistas da historia de Cruzeiro do Sul. O jornal “O Rebate”, criado em 1921 e que esteve sob sua direção entre 1946 e 1972, foi o periódico de maior longevidade das terras do Juruá, se mantendo em circulação ao longo de mais de cinqüenta anos.

Isso numa época em que fazer jornais em Cruzeiro do Sul, não era só difícil, era quase impossível. Afinal de contas, a dependência do transporte fluvial ou aéreo para trazer tintas, papel, ou mandar confeccionar os clichês que seriam utilizados no jornal (e que eram fabricados em Manaus) fazia com que João Mariano tivesse que improvisar quase sempre para manter a circulação de seus noticiosos. Por isso é tão comum encontrarmos jornais editados em papel cor de rosa, verde, ou com qualquer outro tipo de papel que estivesse disponível no momento da impressão. Valia tudo, menos deixar de publicar “O Rebate” ou “O Juruá”.

O próprio João Mariano ensaiou uma autobiografia onde revelou, num texto agradável e cheio de causos trágicos ou hilários, não só a sua própria historia, mas fragmentos dos dramas pessoais vividos por vários de seus familiares que, diante das dificuldades da vida no sertão nordestino, foram obrigados a “fazer a Amazônia” em fins do século XIX e inicio do XX.

João Mariano fazia história então. Através dele conhecemos exemplos reais de tantos destinos perdidos no sonho da fortuna da borracha. Passamos, também, a compreender que a história do povoamento da Amazônia Ocidental, e do Juruá em particular, foi construída com o sacrifício de milhares de homens e mulheres que para cá vieram sem saber ao certo o que seria deles.

Não deixa de ser surpreendente saber que, entre 1904 e 1922 Cruzeiro do Sul possuiu pelo menos dezoito diferentes jornais, além de revistas de nome poético como “A orchidea”. E que muitos desses jornais foram publicados simultaneamente numa cidade que possuía apenas 3.000 habitantes (segundo o censo de 1920).

Um lugar que – apesar de estar isolado em meio à imensa floresta Amazônia, e que não possuía outro meio de transporte que não os rios, possui uma tal história de efervescente produção intelectual? Assim, facilmente chegaremos à conclusão de que a história de Cruzeiro do Sul é de uma riqueza e complexidade tal que fez por merecer um homem do calibre de João Mariano e vive-versa. Histórias de um homem e uma cidade que já não podem mais ser separadas.