Euclides da Cunha

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Euclides Rodrigues da Cunha nasceu na fazenda Saudade, em Cantagalo (Rio de Janeiro), filho de Manuel Rodrigues da Cunha Pimenta e Eudóxia Alves Moreira da Cunha. Aos 3 anos de idade se torna órfão de mãe passando a viver com parentes em Teresópolis, São Fidélis e na cidade do Rio de Janeiro. Em 1886, ingressa na Escola Militar da Praia Vermelha.

Em razão de suas convicções republicanas desligou-se do Exército ainda em 1888. Com a Proclamação da República, foi reintegrado ao Exército com promoção. Entrou para a Escola Superior de Guerra e conseguiu ser primeiro-tenente e bacharel em Matemáticas, Ciências Físicas e Naturais. Casou-se com Ana Emília Ribeiro.

Durante a primeira fase da Guerra de Canudos, em 1897, Euclides escreveu artigos que resultaram no convite pelo “O Estado de S. Paulo” para atuar como correspondente de guerra. Euclides não chegou a presenciar o final da Guerra de Canudos. Mas reuniu material suficiente para elaborar o clássico “Os Sertões: campanha de Canudos” (1902). Neste livro rompeu com a idéia de que a Guerra de Canudos tivesse causas monarquistas e revela o Brasil interior que existia longe dos olhares do centro do poder politico então situado no litoral.

Os Sertões consagrou Euclides da Cunha como um dos maiores escritores brasileiros e ele começou a cultivar um novo e grandioso projeto. Escrever um “segundo livro vingador” que deveria se chamar “O Paraíso Perdido” sobre a também incompreendida Amazônia. Assim, depois de várias gestões Euclides foi nomeado chefe da comissão mista brasileiro-peruana de reconhecimento do Alto Purus, em 1904, que deveria demarcar a fronteira e por fim ao conflito que colocava em confronto brasileiros e peruanos na região do Acre recém pacificado pelo Tratado de Petrópolis.

A partir dessa épica viagem Euclides escreveu dois livros (“À Margem da História” e “Contrastes e Confrontos”) além de ensaios e artigos, onde já denunciava a exploração dos seringueiros e procurava revelar aspectos desconhecidos da alma amazônica. Mas não teve tempo para publicar seu sonhado novo livro porque, numa trágédia familiar, Euclides acabou sendo assassinado em 1909. Ainda assim, mesmo incompleta, a obra de Euclides da Cunha tornou-se uma referencia indispensável para a formação de uma consciência nacional que incluisse a realidade amazônica e seus povos.