Plácido de Castro

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person placido grandeNo dia 12 de dezembro de 1873, nasceu na cidade de São Gabriel, Rio Grande do Sul, o primogênito do Capitão Prudente da Fonseca Castro que recebeu o nome de seu avô paterno, José Plácido de Castro, que também havia sido militar. Com isso o menino parecia predestinado a seguir a carreira militar que há três gerações consecutivas marcava os homens daquela família. Mas a morte do pai quando Plácido tinha quase 12 anos, dificultou a formação do menino que se viu obrigado a trabalhar para ajudar no sustento dos seis irmãos e da mãe.


Trabalhou em diversos ramos de atividade: loja de fazendas, aprendiz em ourivesaria, cartório, comércio, até completar 16 anos e começar a carreira militar. Em 1889, assentou praça no 1º Regimento de Artilharia de Campanha, o conhecido “Boi de Botas”. Conseguiu uma vaga na Escola Militar de Porto Alegre onde estava quando começou a Revolução Federalista, durante a presidência de Floriano Peixoto. Plácido acabou por se alinhar aos Maragatos e alcançou rapidamente o posto de Major. Porém, apesar dessa fulminante ascensão, a derrota dos Maragatos levou Plácido de Castro a abandonar a carreira militar, ainda que tenha sido anistiado.


Em 1896 o jovem Plácido chegou ao Rio de Janeiro e, em 1898, foi para São Paulo. Seguindo seu tortuoso caminho, logo chegou a Amazônia. Começou então a trabalhar como agrimensor na demarcação de terras e não demorou em se tornar mais uma vitima do impaludismo. Já ao início de 1902, Rodrigo de Carvalho, acompanhado de dois outros grandes seringalistas procuram Plácido de Castro para lhe propor um movimento armado contra a dominação estrangeira, que aceita.


Muito tem sido dito sobre o papel de Plácido de Castro na vitória revolucionária contra os bolivianos. É preciso considerar que a quarta revolução ocorrida no Acre foi de curta duração. Começou em 6 de agosto de 1902 e terminou a 24 de janeiro de 1903, ou seja, apenas seis meses de confrontos mais agudos. Talvez o principal fator do sucesso desse movimento tenha sido a formação de um exército organizado, composto por seringueiros sem experiência militar, mas com uma organização suficiente para direcionar os esforços e ações daquelas centenas de homens. Para isso foi fundamental a experiência militar de Plácido.


Um outro fator de peso no resultado do movimento armado foi o forte apoio dos grandes seringalistas, especialmente no rio Acre. Isso lhe deu o suporte necessário para a formação e manutenção de um exército como ainda não havia existido. Durante os longos dias de cerco e combate às posições bolivianas, não faltaram suprimentos, munição e armamentos para o exército acreano, apesar de o próprio Plácido de Castro ter se queixado, em seus apontamentos sobre as provações passadas nos dias de marcha forçada quando faltavam provisões para alimentar seus soldados. O certo é que o papel desempenhado por Plácido de Castro foi fundamental para o sucesso do movimento armado que tornou o Acre brasileiro.


Após o término da Revolução era a hora de colher seus frutos. Plácido de Castro fez questão de ir ao Rio de Janeiro entregar pessoalmente ao Barão do Rio Branco seu relatório sobre o conflito acreano. Durante toda a viagem Plácido foi homenageado nas cidades por onde passou, especialmente em Manaus e Belém. Historiadores descrevem como apoteótica sua chegada ao Rio de Janeiro, onde foi recebido ainda a bordo do navio pelo próprio Barão.


Entretanto, recusa o oferecimento de uma patente de coronel da Guarda Nacional que lhe foi feita pelo Governo federal. Julgava esta honraria ofensiva já que comumente era feita aos coronéis e compadres políticos do poder oficial.


Retornou, então, ao Acre com a expectativa de realizar sua independência financeira. Com efeito, mais uma vez a ascensão de Plácido de Castro foi rápida. Tornou-se proprietário do Seringal Capatará, comprado a crédito. Em um gesto audaz, entrou no território boliviano para requisitar a posse legal das terras que ele havia delimitado na Bolívia. Com o sucesso dessas empreitadas, se tornara um grande latifundiário que sonhava em implantar sistemas mais racionais de exploração daquelas terras, planejando inclusive estabelecer a criação de bois e muares nas pastagens naturais de algumas localidades acreanas e bolivianas. Esse processo culminou com a compra também a crédito do grande seringal Bagaço, consolidando uma fortuna pessoal que era causa de acusações por parte de seus inimigos.


Além disso, Plácido de Castro ainda se veria envolvido nas discussões acerca dos abusos cometidos pelo governo federal que cobrava um imposto escorchante sem, entretanto, investir no desenvolvimento do Acre. Entre os anos 1906 e 1907, durante oito meses, exerceu o cargo de Prefeito Interino do Departamento do Alto Acre em circunstâncias pouco definidas, a partir do que remeteu relatório ao Ministro da Justiça. Com a chegada de um novo Prefeito Departamental do Alto Acre, o Cel. Gabino Besouro se precipitariam os acontecimentos que marcaram o desfecho trágico da vida do ex-comandante revolucionário.


A forte disputa política regional marcada pela reivindicação da autonomia política do Território e o confronto entre diferentes grupos pelo poder marcaram o período inicial da existência do Território Federal do Acre. Assim, no dia 9 de agosto ao retornar da cidade de Rio Branco para o Seringal Capatará, Plácido acompanhado por seu irmão Genesco e amigos, sofreu uma emboscada próximo ao seringal “Flor de Ouro”, de propriedade do Subdelegado Alexandrino José da Silva, um dos principais suspeitos pela autoria do crime. Levado ao seringal Benfica de seu amigo João Rola, agonizou durante dois dias e no dia 11 de agosto de 1908 deixou a vida nas terras que ajudou a conquistar.