Interrogatório de Dilma no Senado: Jorge Viana pergunta

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O senador Jorge Viana (PT-AC)  a palavra na noite desta segunda-feira (29), durante o interrogatório da presidente afastada no julgamento do impeachment, mas não fez perguntas à Dilma Rousseff. Ele afirmou, em seu discurso, que o processo de impeachment não deve ser visto como avalizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) porque é presidido pelo ministro Ricardo Lewandowski.

"Somos juízes. Estamos aqui presididos pelo ilustre ministro Ricardo Lewandowski. Isso não significa, como alguns tentam apregoar, que o Supremo Tribunal Federal está dando algum tipo de aval ao processo. Ele está aqui tão somente porque a lei é de 1950", disse ele, explicando que, no ano de aprovação da lei, o presidente do STF também presidia o Senado.

"Que tribunal é esse onde os juízes são senadores, e a acusada é presidente da República? Os juízes aqui são isentos como devem ser? Que chance há de a presidenta Dilma encontrar Justiça nesse tribunal? É isso que o Brasil deve estar se perguntando neste momento", afirmou ele.

Resposta de Dilma

Apesar de o senador Jorge Viana não ter feito perguntas, Lewandowski passou a palavra para Dilma Rousseff. A presidente afastada afirmou que "é fundamental que a oposição seja legal à Constituição", em uma alusão a escritos do sociológo Juan José Linz, e pediu que as "regras do jogo" sejam respeitas. "E a maior regra do jogo em nosso país é a Constituição. Impeachment sem crime de responsabilidade é uma violação dessa regra do jogo."

Dilma aproveitou a fala pasar fazer uma autocrítica, e voltou a defender um plebiscito que consulte a população sobre a realização de eleições diretas.

"Podemos sim melhorar nossas políticas, consertar nossos erros. (...) Mas sem enfrentar a crise política no Brasil, sem construir a estabilidade, nós não conseguiremo construir a estabilidade econômica de forma perene. Por que apoio hoje a convocação de um plebiscito que os senhores senadores aprovaram? Tenho a convicção de que o pacto político passa por ouvir o povo. Rupturas não são consertadas com expedientes que levam a eleições indiretas travestidas de processos de impeachment sem crime de responsabilidade."

 

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