Petistas dizem que discurso de Dilma foi forte e apostam em reversão de votos

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Senadores e deputados petistas falaram que a presidente afastada Dilma Rousseff fez um discurso forte, "falando com a alma", e que deverá reverter votos capazes de conter seu impeachment.

— Foi um discurso forte, eivado por três fatores: ela falou com a alma, colocou a questão democrática acima de seu mandato, e com muito conteúdo desmontou o discurso dos opositores de que cometeu crime — disse o deputado José Guimarães (PT-CE), que foi líder do governo Dilma na Câmara.

Guimarães disse que alguns senadores estão procurando os petistas para avisar que estão reavaliando seus votos. Citou o ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTC-AL), que nas duas votações anteriores do processo votou a favor do afastamento de Dilma. Collor não declara seu voto.

O senador Jorge Viana (PT-AC) afirmou que aqueles que aguardavam o discurso de Dilma para se decidirem têm argumentos concretos para impedir o afastamento da petista.

— Quem queria elementos para firmar seu juízo, tem todos eles para definir seu voto — disse Viana.

Segundo Viana, Dilma defendeu também a democracia no país. Em reação à declaração do senador tucano Cássio Cunha Lima (PB), que afirmou que, ao se referir ao processo de impeachment como golpe, Dilma cometeu mais um crime de responsabilidade, Viana afirmou que a oposição "tem medo" da palavra golpe.

— A presidente foi respeitosa com sua história, com o Senado, mas essencialmente com a democracia e o povo brasileiro. E tecnicamente deixou bem claro que não cometeu crime de responsabilidade e trouxe os argumentos para que qualquer senador ou senadora, que não queria cometer esse atentado à democracia brasileira, votar contra esse injusto processo de impeachment — disse o senador acrescentando:

— A oposição tem medo da palavra golpe. Mas a imprensa nacional e internacional, o próprio editorial do Le Monde deixa muito claro: é golpe. A nossa oposição está sendo desleal com a Constituição e isso é lamentável. Tivemos em 64 um golpe do qual depois o Brasil se envergonhou. Diziam que era para atender aos reclames da sociedade. Hoje dizem que a sociedade clama pela saída da presidente. Da mesma maneira dizemos: é um golpe, mas agora um golpe parlamentar.

Aliada de Dilma, a senadora Fátima Bezerra (PT-RN) disse que "vários" senadores não têm moral para julgar a presidente afastada por serem acusados em processos de corrupção. Ela não quis citar nomes.

— Vários integrantes deste parlamento enfrentam processos e não têm moral e ética para cassar uma presidente cuja biografia é pautada pela integridade — disse Fátima, à saída do plenário do Senado, onde Dilma é interrogada.

A senadora petista elogiou a fala inicial de Dilma, disse que o discurso vai ficar para a história e correspondeu à expectativa dos aliados. Ela disse que chorou várias vezes enquanto a presidente afastada apresentava sua defesa.

— Eu me emocionei no discurso dela. Mas o que mais me entristece não é só a questão de Dilma por Dilma, mas o simbolismo que isso tem. A importância da democracia e da soberania popular. O voto é sagrado. Não aceitaria que quem não ganhou pela via democrática busque atalhos para chegar no poder — afirmou Fátima.

 

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